PENTATEUCO KARDEQUIANO

PENTATEUCO  KARDEQUIANO
OBRAS BÁSICAS

Wednesday, October 11, 2017

HOMOSSEXUALIDADE / HOMOSSEXUALISMO

HOMOSSEXUALIDADE  /  HOMOSSEXUALISMO
PROF.  JOSÉ  HERCULANO  PIRES

A maioria dos casos do chamado homossexualismo adquirido, senão todos, provêm de atuação obsessiva de entidades animalescas, entregues a instintos inferiores. Mas a responsabilidade não é só dessas entidades, é também das vítimas que, de uma forma ou de outra, se deixaram dominar pelos primeiros impulsos obsessivos ou até mesmo provocaram a aproximação das entidades. A experiência de vários casos dessa natureza revela-nos ainda os motivos de provação, decorrentes de atrocidades praticadas no passado pelas vítimas atuais, que são agora colocadas na mesma posição em que colocaram criaturas inocentes em encarnações anteriores. A lei de causa e efeito, determinando o karma da terminologia indiana, colhe suas vítimas geralmente no período da adolescência, quando essas ocorrências são mais favorecidas pela crise de transição da idade. Mas também há casos ocorridos na idade madura e na velhice, dependentes, ao que parece, de crises típicas desses períodos.  ( Ref. 8, p. 61 )
A obsessão inata corresponde aos casos psiquiátricos de desequilíbrio chamados constitucionais. Psiquiatricamente esses casos só podem ser atenuados, jamais curados. Mas, para a Ciência Espírita, esses casos não são constitucionais e podem ser curados com o afastamento do obsessor. O fato de permanecerem juntos nesta encarnação, mostra uma ligação anterior e negativa entre eles, que deve ser resolvida no presente. Por exemplo, os casos de homossexualismo adquirido, não congênito ou constitucional, da classificação psiquiátrica, decorrem de fatores educacionais mal dirigidos ou de influências diversas posteriores ao nascimento, que dão motivo à sintonia do paciente com espíritos obsessores vampirescos. O problema sexual é extremamente melindroso, pois tanto o homem como a mulher dispõem de tendências de ambos os sexos, podendo cair em desvios provocados por excitações de após nascimento. ( Ref. 8, p. 140 )

REF:

8 - Mediunidade – 4 ed. Editora Paidéia LTDA

Monday, September 25, 2017

SEXO

O sexo terá que evoluir no sentido de ser um dos pilares mais afirmativos da Evolução; um sexo sem animalidades e desregramentos, um sexo natural e normal sem pieguismos de uma moral falsa e sem sentido. Um sexo onde seus impulsos sejam os canais sustentadores do psiquismo e o grande adorno do amor-integral. ( Ref. 3, p. 136 )
     O sexo, em seus diversos graus e matizes, está englobado aos sentimentos-emoções de profundidade, embora em suas realizações, no terreno físico, à mente. Desta maneira, haveria uma ponte de passagem das energias sexuais do Espírito para a matéria, um local onde pudesse haver adaptações das energias-emoção para as energias-intelecto. Acreditamos que a glândula pineal seria a estação de transformação, a zona de passagem dum campo ao outro, apresentando os desvios quando as energias não fossem ajustadas. ( Ref. 4, p. 177 )
        Situando sempre o sexo, não no órgão, mas no coração, não somente aí, mas no equilíbrio mental teremos uma vida bem dirigida na face da Terra. ( Ref. 4, p. 181 )
         O despertar das razões internas, como também o encontro consigo mesmo, podem dar-se através do desenvolvimento harmonioso e equilibrado do sexo que responderia pelas criações mais afirmativas do pensamento ( Ref. 6, p. 83 )
           Não há dúvida de que o sexo participa de uma série de fatores psicológicos, mas não é o senhor das atividades psíquicas. Ele é realmente um dos baluartes do espírito; na senda da evolução é grande cooperador, mas tem seus limites. A psicanálise vê no sexo a procura constante do prazer; nossa natureza atual não nos permite fugir desta idéia; entretanto, podemos afiançar que, em muitos indivíduos, o prazer do sexo é o prazer egoístico e escancarado da auto-adoração, e, em outros, em menor número, representa o prazer da criação, colaborando de modo mais ativo com as razões cósmicas. ( Ref. 7, p. 99 )
            O sexo de determinada personalidade é conseqüência das necessidades que o EU reclama para construir-se. ( Ref. 7, p. 113 )
        Estando na profundidade do espírito os vórtices dinâmicos do sexo, é claro que a definição sexual de uma determinada Personalidade (corpo físico) é conseqüência das necessidades, que a Individualidade reclama para se construir.
Entendemos que os vórtices inconscientes de energias sexuais, vêm de núcleos em potenciação (focos energéticos do inconsciente e responsáveis pela orientação da zona consciencial) como que aderidos energeticamente às emanações da Vontade (energias psíquicas do inconsciente puro); por isso, bastante potentes, apresentando caráter criativo.  ( Ref. 7, p. 122 )
     Não mais se compreenderá o sexo estudado apenas em suas manifestações periféricas, na organização física, mas, também, em profundidade na busca de suas fontes criativas. Não se pode deixar de afirmar, com razão, que a evolução espiritual estará também ligada à utilização equilibrada do sexo. ( Ref. 9, Prefácio )
     Contingências dessa ordem poderão dizer-nos que o sexo, masculino ou feminino, é uma dissociação energética, com finalidade de aquisições evolutivas. Somente os mais evoluídos, pelas aptidões adquiridas, incorporaram em sua essência os dois fatores (masculino e feminino), a representarem uma unissexualidade pela bissexualidade maturada nas etapas reencarnatórias. ( Ref. 9, p. 62 )
         Quem ainda não tiver suplantado as fases sexuais, nas suas duas polaridades, não terá condições de afastar-se das necessárias realizações na romagem física. ( Ref. 9,  p.151)

4 – REFERÊNCIAS
Dr. Jorge Andréa dos Santos
                                                                          (* 10 AGO 1916   + 01 FEV 2017)

1.    Busca do Campo Espiritual pela Ciência. Editora Societo Lorenz, Rio, 1993, 1ª edição.
2. Correlações Espírito-Matéria. Editora Samos, Rio, 1984, 1ª edição. Editora Societo Lorenz, Petrópolis, 1990, 2ª edição.
3.     Dinâmica Espiritual da Evolução. Editora Fon-Fon e Seleta, Rio, 1978, 1ª edição. 1980, 2ª edição.
4.     Dinâmica PSI. Editora Fon-Fon e Seleta, Rio, 1982, 1ª edição. Editora Societo Lorenz, Petrópolis, 1990, 2ª edição.
5.  Encontro com  a Cultura Espírita. Em colaboração com Deolindo Amorim, Altivo Ferreira e Alexandre Seck. Casa Editora O Clarim, Matão (SP), 1981.
6.  Energética do Psiquismo, Fronteiras da Alma. Editora Caminho da Libertação, Rio, 1976, 1ª edição. 1978, 2ª edição. Editora Societo Lorenz, Petrópolis, 1990, 3ª edição.
7.     Energias Espirituais nos Campos da Biologia. Editora Fon-Fon e Seleta, 1971.
8.   Enfoques Científicos na Doutrina Espírita. Editora Samos, Rio, 1987, 1ª edição. Editora Societo Lorenz, Rio, 1991, 2ª edição.
9.      Forças Sexuais da  Alma. Editora Fon-Fon e Seleta, Rio, 1981, 1ª edição. Editora Societo Lorenz, Petrópolis, 1989, 2ª edição. 1991, 3ª edição.
10.  Impulsos Criativos da Evolução. Editora Arte e Cultura, Niterói, 1989, 1ª edição.
11.  Lastro Espiritual nos Fatos Científicos. Editora Societo Lorenz, Rio, 1989, 1ª edição.
12.  Nos Alicerces do Inconsciente. Editora  Caminho da Libertação, Rio, 1973, 1ª edição. 1980, 2ª edição.
13.  Os Insondáveis Caminhos da Vida. Editora Fon-Fon e Seleta, Rio, 1981, 1ª edição. Editora Societo Lorenz, Petrópolis, 1989, 2ª edição. 1991, 3ª edição.
14.  Palingênese, a Grande Lei. Editora  Caminho da Libertação, Rio, 1975, 1ª edição. 1980, 2ª edição. 1982, 3ª edição. Editora Societo Lorenz, 1990, 4ª edição.
15.  Psicologia Espírita I. Editora Fon-Fon e Seleta, Rio, 1978, 1ª edição. 1980, 2ª edição. 1982, 3ª edição. 1986, 4ª edição. Editora Societo Lorenz, Petrópolis, 1991, 5ª edição.
16.  Psicologia Espírita  II. Editora Societo Lorenz, Petrópolis, 1991, 1ª edição.
17.  Psiquismo: Fonte da Vida. Editora Cultural Espírita Edicel Ltda, 1ª edição, 1995.
18.  Segredos do Espírito: Zona do Inconsciente. Editora Cultural Espírita Edicel Ltda, 3ª edição, 2002.
19.  Visão Espírita nas Distonias Mentais. F. E. B., 1990, 1ª edição.


Tuesday, September 19, 2017

“Armar” a população é inútil; “Amar” o povo – eis o caminho da paz

A LUZ NA MENTE
REVISTA ON LINE DE ARTIGOS ESPÍRITAS
“Armar” a população é inútil; “Amar” o povo – eis o caminho da paz

Com a proclamação da República em 1889, seguindo-se a promulgação da Constituição de 1891, o Brasil adotou um modelo presidencialista de democracia representativa por meio de sufrágio direto. O Ato Institucional Número Um e a subsequente Constituição de 1967 determinavam a instituição de eleições presidenciais indiretas, realizadas por meio de um colégio eleitoral, modelo que se seguiu até a promulgação pela Constituição de 1988, que restabeleceu o voto direto, secreto e universal, e possibilita uma participação popular maior que todos os pleitos anteriores.
Dos 30 pleitos para presidente, 22 foram realizados de forma direta e 8 de forma indireta, tendo havido apenas uma eleição extraordinária, em 1919. No contexto, apenas 4 eleições foram vencidas pela chamada “oposição” (1960, 1985, 1989 e 2002), sendo três diretas e uma indireta. Em 2018 haverá nova eleição direta para presidente do Brasil. Razões temos de sobra para permanecermos atentos sobre nosso intuito de voto a respeito de quem indicaremos para dirigir o país. Os espíritas não poderão ficar alheios ao próximo pleito.
Esquivando um pouquinho da introdução aqui lembrada, na verdade, hoje observamos um quadro político moralmente pervertido, em face dos inimagináveis desvios do erário público. Um famoso procurador da república afirmou que o Brasil é governado por “larápios egoístas e escroques ousados”. Raríssimos parlamentares escapam da corrupção. Por outro lado, e como se não bastasse, confessamos que é com muita inquietação que acompanhamos a crescente popularidade de certo “pré-candidato” que, não obstante, permaneça fora da curva dos corrompidos, todavia tem anunciado o armamento da população, visando a conquista de votos.
Tal discurso é extremamente preocupante. Não duvidamos da honestidade de tal candidato, contudo, suas promessas de governo têm sido aterradoras, conquanto possa estar imbuído de boas intenções, e até mesmo arregimentar a seu favor honestos cidadãos brasileiros. Entretanto, cremos que o seu discurso “messiânico” para transformação social sob o látego do revide, da animosidade, da retaliação é cabalmente desfavorável à paz social.
Asseguramos isso com base no resultado do plebiscito sobre o desarmamento de 2005, em que mais de 60% do povo brasileiro optou pelo comércio de armas de fogo e munição no Brasil. Portanto, a maioria da população apoiou o armamento do cidadão, quando detinha o poder de decidir pela sua interdição. À época, muitos setores da sociedade defenderam a manutenção do comércio legal das armas aos cidadãos que delas necessitem, por algum motivo, justificando que todos têm direito a possuir, nos limites da Lei, uma arma de fogo para se defenderem de qualquer atentado à incolumidade física do indivíduo, sua vida, seu patrimônio etc.
Ante a Lei de Ação e Reação, obviamente, com essa decisão brotou um espantoso débito moral (“carma”) dos brasileiros. E isso é lamentável!
Há vários anos André Luiz tem advertido aos espíritas segundo consta no livro Conduta Espírita, cap. 18 – “Esquivar-se do uso de armas homicidas, bem como do hábito de menosprezar o tempo com defesas pessoais, seja qual for o processo em que se exprimam. Pois o servidor fiel da Doutrina possui, na consciência tranquila, a fortaleza inatacável.”
Cremos que a criminalidade tem as suas raízes, dentre outras, na desigualdade social, no elevado índice de desemprego, na urbanização desordenada e, destacadamente, no descrédito à classe política mísera e comprovadamente corrupta e na difusão incontrolada da arma de fogo, sobretudo clandestina, situações essas que contribuem de forma decisiva para o avanço do tráfico de drogas, dos assaltos, dos roubos, dos sequestros e, por fim, dos homicídios.
É constrangedor saber que o país onde há milhares de centros espíritas, lidere a lista mundial em casos de mortes produzidas com a utilização de armas de fogo. E, por forte razão, senhor pré-candidato, cremos ser falsa a segurança oferecida pelas armas mormente no ambiente doméstico, considerando o potencial de alto risco do uso da arma por familiares não habilitados, que podem causar efeitos danosos irreparáveis na vida doméstica.
De modo óbvio, não somos tão ingênuos a ponto de acreditar que a restrição (proibição) do uso de armas de fogo equacione definitiva e imediatamente o problema da violência. Sabemos que a arma de fogo pode ser substituída por outras, talvez não tão eficientes. Na ausência de estrutura da aparelhagem repressora e preventiva do Estado, as armas de fogo continuarão chegando às mãos dos indivíduos descompromissados com o bem e fazendo suas vítimas. Por isso, urge meditar que devemos aprender a desarmar, antes de tudo, nossos espíritos, e isso só se consegue pela prática do amor e da fraternidade.
Muitos vivem sob o guante da síndrome das balas perdidas. Cremos ser o investimento de recursos em armamentos inútil, perigoso e desnecessário. As leis e a ordem impostas à sociedade como resposta à exigência coletiva são aceitáveis e compreensíveis, mas muito melhor será quando os homens amarem-se ao invés de armarem-se e fazerem ao outro o que desejariam que lhes fizessem, pelo menos respeitarem seus direitos, sobretudo o mais fundamental, como o direito à vida e nesse contexto o ensinamento espírita em seu esboço filosófico e religioso (ético-moral) é o instrumento por excelência decisivo para transformação social.


Jorge Hessen

jorgehessen@gmail.com

Tuesday, September 12, 2017

PSICOFONIA NA OBRA DE ANDRÉ LUIZ - 8 APOIO DOS BONS ESPÍRITOS

PSICOFONIA NA OBRA DE ANDRÉ LUIZ
JACOBSON SANT’ANA TROVÃO

8  -  APOIO DOS BONS ESPÍRITOS

Quando encontramos companheiros encarnados, entregues ao serviço com devotamento e bom ânimo, isentos de preocupação,  de experiências malsãs  e inquietações injustificáveis,  mobilizamos grandes recursos a favor do êxito necessário. Claro que não podemos auxiliar atividades infantis, nesse terreno.  [...] Onde se reúnam almas levianas, aí estará igualmente a leviandade. 32

André Luiz, no trecho em destaque, alude às condições para a assistência efetiva dos Espíritos de mais elevada hierarquia: devotamento, bom ânimo, mente serena, vida sadia e reta.
Todo grupo mediúnico sério, obviamente, conta com a presença de bons Espíritos que estimulam os encarnados à melhoria pessoal e ao desenvolvimento das atividades a que se propõem, com segurança.
No entanto, somente o tempo, a dedicação desinteressada e o esforço na vivência evangélica conferem credencial à equipe, para aproximação das almas superiores e, com elas, poderem atender aos complexos dramas humanos.
Para tanto, existem fases ou etapas que todo grupo mediúnico precisa atravessar.
No início, etapa de adestramento da mediunidade, ocorrem os contatos rudimentares com o plano astral mais próximo à crosta terrestre, por meio de exercícios repetitivos de atenção e concentração, quando o médium psicofônico ou psicógrafo entremeia seus pensamentos com os dos desencarnados e, aos poucos, vai diferenciando-os, dando, com isso, qualidade e segurança à tarefa. Nesse período, o médium conta com a presença de entidades menos evoluídas, mas bondosas, que se aproximam para burilar as percepções extrassensoriais.
Os dirigentes espirituais do trabalho, de elevada condição, evitam ser identificados nessa fase, aguardando que, com o tempo, o grupo demonstre a dedicação e responsabilidade necessárias às atividades de vulto. Tais mentores poupam, igualmente, a equipe novata de graves embates com obsessores ardilosos, não colocando fardo acima das possibilidades dos encarnados.
O médium que inicia seu aprendizado deve buscar de imediato o equilíbrio pessoal, evitando, assim, que suas forças mediúnicas sejam solapadas por obsessores oportunistas, que ficam no encalço dos descuidados, visando obstacular a eclosão da mediunidade caridosa, capaz de atrapalhar seus planos maldosos.
Obsessões que se instalam em médiuns novatos podem evoluir de simples incômodo, perfeitamente solucionável pela mudança de sintonia, para a fascinação, que anula totalmente o progresso do médium.
Após a fase de adestramento, o período intermédio é mais ou menos longo, podendo avançar por mais de uma década. Nessa etapa, o médium e toda a equipe, mais aprimorada, sem as dúvidas iniciais, sem ansiedades por práticas exteriores, seguros no estudo, recebem a oportunidade de socorrer os sofredores dos dois planos da vida. É nesse período que se manifestam no grupo os suicidas, os licantropos,  os obsessores vingativos e tantos outros, conforme a aptidão do grupo.
Nesse intervalo, também, como forma de estímulo, manifestam-se Espíritos amigos, os familiares, o mentor do grupo, demonstrando que está havendo sintonia mais aprimorada com o astral elevado.
Contudo, nessa mesma etapa de trabalho, a equipe passa a ser observada por líderes de falanges obsessoras, que comumente tentam um e outro, visando complicar-lhes os passos na vida pessoal, emocional, familiar, com o intuito de impedir a continuidade do trabalho que passa a se destacar no mundo dos Espíritos, a interferir nas articulações desses Espíritos perseguidores.
A terceira fase é a de maturidade do grupo mediúnico, que se atinge após quinze a vinte anos de atividades ininterruptas e acentuada dedicação ao auto aperfeiçoamento dos componentes. Isso se deduz da comparação feita por Emmanuel, no livro Mediunidade e sintonia, em seu capítulo 14. Na visão do grande mentor, a preparação do médium para o atendimento aos dramas humanos demanda o mesmo tempo de formação acadêmica para a assunção das responsabilidades profissionais. Segundo ele, o socorro à alma sofredora é tão importante quanto as exigências dos variados ramos do saber:
Se uma certidão de competência no campo das profissões liberais
da Terra exige do candidato,
desde o abecedário à cúpula universitária,
nada menos de quinze a vinte anos de preparação,
a fim de que se lhe ajustem os centros mentais para o começo do trabalho a desenvolver, título esperar que um médium se forme com segurança em poucos dias?
Encarregar-se dos interesses espirituais dos outros, conduzi-los,
harmonizá-los, elevá-los ou socorrê-los será menos importante que traçar uma planta para o levantamento de uma ponte ou para construção de uma casa?33

O grupo mediúnico, atingindo o efetivo amadurecimento, caracteriza-se pela completa dedicação dos tarefeiros à mediunidade em nome do Cristo. As preocupações do mundo já não deslustram o empenho em manter a mente serena o suficiente para captar as elevadas intuições vindas do Alto.
Em equipes assim é comum médiuns em desdobramento rumarem, com orientadores espirituais, às zonas umbralinas, aos hospitais ou a outras regiões do orbe, para assistir ou conduzir à sessão mediúnica enfermos encarnados ou desencarnados. Almas arraigadas a vinganças, por vezes seculares, em manifestações com alto teor magnético, entabulam diálogos complexos, cheios de ódio e ameaças, exigindo acentuado equilíbrio do médium e de toda a equipe para dissuadi-las de seus propósitos. Não raro, comunicam-se líderes de legiões obsessoras, com o intuito de criticar o serviço prestado pela Casa Espírita, exibindo um falso poder, em especial quando a equipe auxilia uma de suas vítimas. São ocasiões como essas que põem à prova a serenidade, a confiança, o amor, a fé e a compreensão daqueles que estão imbuídos da caridade em nome de Jesus e os estimulam a seguir adiante. A propósito, os principais dirigentes de colônias trevosas muito raramente se incorporam em médiuns encarnados. Suas vibrações carregadas de energias deletérias poderiam adoecer o médium ou até levá-lo à desencarnação.
Importante ressaltar que, ao lado de serviços tão delicados, o grupo merece a presença dos luminares da Espiritualidade, que se permitem ser conhecidos e identificados, demonstrando sintonia perfeita com o trabalho. A essa altura, o grupo de encarnados já deve estar imune aos perigos do personalismo, do melindre, dos desejos pessoais. Mesmo assim, não pode descuidar-se do estudo, da humildade, da caridade, lembrando que a erva daninha prefere a terra boa.

Nota:
32 XAVIER, Francisco Cândido. Os mensageiros. Cap. 43.
33 XAVIER, Francisco Cândido. Mediunidade e sintonia. Cap. 14.


CHARLES RICHET - O APÓSTOLO DA CIÊNCIA E O ESPIRITISMO

OPINIÃO DE CARLOS IMBASSAHY

Homenageando Charles Richet ( * 26 AGO 1850  + 04 DEZ 1935 ) por ocasião de sua desencarnação, o dr. Carlos Imbassahy, em determinado trecho de seu artigo, escreve:91
“(...)
Há mais de 60 anos que o notável fisiologista procurava atrair a atenção do mundo científico para a metafísica, a grande verdade do presente e a grande ciência do futuro, como ele dizia, capaz de revolucionar todas as nossas ideias de agora, não só as que possuímos sobre o conhecimento, como as que nos conduzem no campo da moral.
Mantendo-se Richet ou aparentando manter- se nos limites do materialismo, os nossos adversários costumam citá-lo, quando querem atacar a Doutrina Espírita. O que eles nunca perceberam, porém, é que toda a imensa obra metafísica de Richet não é mais do que um pedestal que ele ofereceu aos espíritas para assentarem a sua tese.
Inda mais: disfarçadamente, o mestre apresentava as razões em que se escudava a Doutrina Espírita, por forma a torná-la inderrocável, e isso sem disfarce algum.
Testemunhamos, então, este fato assombroso: o fisiologista declarava não acreditar no Espiritismo, senão como mera hipótese de trabalho; mas, quando supúnhamos que ia demonstrar, com os esteios de sua ciência, a fraqueza da doutrina a que era adverso, o que a sua ciência nos fazia ver era a realidade da manifestação dos mortos; o que ele opunha era simplesmente a sua opinião pessoal: – não acreditava.
O materialista, o cientista, recusava uma doutrina por ponto de fé! Entretanto, quase diríamos que o ceticismo não tinha raízes no fundo de sua alma. Várias vezes afirmava: ‘je parle em physiologiste’.
Nos seus trabalhos, confessa o eminente mestre a luta formidável que se travou em seu espírito para aceitar os fatos supranormais, fatos que vinham desorganizar, perturbar completamente seus conhecimentos sobre a matéria e a vida. Foi dominado enfim pela evidência”.
No Traité de Métapsychique declara: “Talvez, e disso me acuso, eu não ficasse convencido com o que eminentes sábios já publicaram, se dos quatro fenômenos fundamentais da metapsíquica não tivesse sido testemunha, testemunha pouco entusiástica, testemunha severa, testemunha revoltada, testemunha desconfiada em extremo dos fatos que se me empunham. Pude verificar, em condições irreprocháveis, e apesar do meu desejo de negá-los, a realidade dos quatro fenômenos essenciais da metafísica”.
Diante das dúvidas, mal apresentadas pelo mestre, com relação à hipótese espírita, fica em todos a suspeita de que elas, a serem sinceras, tinham o mesmo substrato psicológico que o levou a descrer primitivamente dos fatos narrados pelos outros e a aceitar somente os que ele próprio via, como testemunha sem entusiasmo, como testemunha revoltada.
Mas, ao mesmo tempo, o que se lhe lê nas entrelinhas, senão também o que lhe transparece das linhas, nos faz acreditar que a sua suposta relutância em aceitar a comunicabilidade dos mortos, tinha, apenas, por fim, dando caráter materialista à nova ciência, atrair para ela a atenção dos universitários.
É o que induzimos das suas vacilações, a princípio, e das largas concessões que vinha fazendo gradativamente, à proporção que a neve lhe embranquecia a fronte, que a experiência lhe enriquecia o entendimento e que os preconceitos se lhe apagavam do espírito.
No Traité escrevia ainda: “Recuso a hipótese espírita, não apenas porque não esteja nenhumamente demonstrada, nem porque se ache em desacordo flagrante com tudo o que nos ensina a fisiologia cerebral; mas porque é inferior à magnífica realidade das coisas.
Um ser humano que, com suas paixões, seus gostos, seus caprichos, suas manias, sobrevivesse à desagregação de seus humanos andrajos, não seria um caso sedutor, nem interessante”.
Aqui temos o que ele opunha: o caso não seria interessante, estaria em desacordo com o que ensina a Fisiologia, não se acharia demonstrado.
A primeira razão é simplesmente anódina; a realidade de um fato não poderia depender do nosso gosto.
Não há nada menos interessante, nem menos sedutor, do que a vida, com os seus sofrimentos, e nem por isso deixam uma e outra de existir.
Quanto ao que ensina a Fisiologia, é o mestre o primeiro a pôr em dúvida a rigidez da ciência:
No próprio Traité, assegura:
“A inteligência humana tem outras vias de conhecimento, que não as dos sentidos normais”.
Ora, não é isso o que ensina a Fisiologia.
E, o que é mais importante: “Entretanto, as nossas ciências, apesar do seu prodigioso progresso, não puderam dar a razão de ser de certos fenômenos excepcionais, aos quais as leis até aqui conhecidas da Física, da Química e da Fisiologia não mais se aplicam”.
Todos sabem que os fisiologistas têm a peito o paralelismo psico-fisiológico. Richet sustenta-o nas suas corteses polêmicas com Lodge e Bozzano.
Mas, atacado de frente por aqueles destemidos e leais adversários, a sua firmeza se abala e já, em La grande espérance, declara:
“O paralelismo absoluto, constante, irresistível entre o pensamento e a função do cérebro não é de indiscutível evidência”.
No Traité ensina:
“A palavra sobrevivência significa sobrevivência da consciência, porque, se não há nem consciência, nem memória, a sobrevivência perde o interesse...
Ora, inumeráveis fatos têm provado que a memória é uma função que desaparece muito depressa. É frágil, diminui rapidamente com a idade. Sobreviver, sem ter lembrança do velho eu, não é sobreviver”.
Mas, o cientista que punha em dúvida a sobrevivência, por ver a memória tão intimamente dependente das funções orgânicas, não sabe, do mesmo passo, como essa memória se mantém, nas inúmeras transformações das células.
E diz no L’avenir:
“Do ponto de vista estritamente fisiológico, o fenômeno da memória, posto que habitual, se aproxima do sobrenatural.
Como uma palavra que eu ouvi há 50 anos, uma paisagem que vi há 50 anos, uma figura que se me apresentou há 50 anos, podem, palavra, paisagem, figura, tornar-se indeléveis em minha consciência ou em minha inconsciência?
Como podem os abalos do protoplasma nervoso, consecutivos à formação dessas imagens, persistir durante 50 anos com sua complexidade prodigiosa, quando a cada segundo, nas mesmas células talvez, outros abalos se produzem, quando os materiais dessas células se transformaram mil vezes na abóbada cerebral? Que traços deixaram?
E onde? Onde estão esses abalos? Quais são? Onde essas células? Ao fim de alguns dias, não resta absolutamente nada dos elementos químicos e anatômicos que constituíam o nosso cérebro.
E, então, ao fim de 50 anos?...”.
Aqui temos como, disfarçadamente, o fisiologista deixava na mão dos espíritas a prova formidável de que a memória não é função do cérebro, nem mesmo do que eles chamam o inconsciente, mas puro patrimônio espiritual.
O mistério – como ele denomina o caso – logo se esclarece, sabendo-se que a memória não reside na célula, mas na parte imaterial do ser.
Se Richet não disse isto, deixou preparado o caminho para que o disséssemos.
Também, assim como declarava que a hipótese espírita não estava demonstrada, afirmava: “Com a telecinesia, com a ectoplasmia, sucede o mesmo. Basta se suponha que existem vasto cosmos, forças inteligentes, humanas ou não humanas, capazes de atuar sobre a matéria. Essa hipótese das forças inteligentes desconhecidas não é temerária. Não há temeridade em supor que tais forças existam, mas, sim, em afirmar que elas não existem”.
Não acreditando que estivesse provada a hipótese espírita, o sábio, contudo, declara, em todos os seus trabalhos, que ela é a mais simples, a mais clara e melhor de todas. Em La grande espérance assegura que faz empalidecer as demais.
Vemo-lo assim ir afrouxando a resistência, à proporção que os anos passam e à proporção que suas obras se multiplicam.
No livro acima citado, fala ainda das dificuldades que encontra e do absurdo que lhe parece ser o acreditar-se na intervenção dos mortos; porém, quando o imaginamos firme nessa convicção, ei-lo que fecha o livro acenando-nos com a esperança de fechar os olhos neste mundo para abri-los com toda a segurança no Além.
O seu último trabalho é um brado de socorro. Au secours, denomina-se esse livro magistral, escrito quando o mestre já estava preste a transpor os umbrais de nosso misérrimo planeta.
Nele, preparando-se o seu espírito para o derradeiro voo, fez esta verdadeira profissão de fé: “A falar a verdade, essa transformação moral que as ciências não nos podem dar, as religiões pretendem trazê-la; proclamam a fraternidade, sem, aliás, a praticarem. Ora bem! O mundo novo, que entrevemos em nossos sonhos do futuro, conhecerá uma nova religião! Pois que tenho todas as audácias, julgo necessário à humanidade uma religião, isto é, outra adoração que não seja a do deus dólar, e que as concepções da humanidade futura subirão mais alto do que a explicação mecânica das coisas que nos assoberbam.
A vida não valeria a pena de ser vivida, se somente tivéssemos o nosso corpo, mais ou menos infecto, para fazer viver.
Essa nova religião não terá messias, nem profeta. Contrariamente a outras religiões, suas bases serão científicas. Terá como conseqüência um novo ideal moral”.
Está aqui traçado o futuro do Espiritismo, tendo por base o fato cientificamente demonstrado e a moral por cúpula.
Depois de estudar todas as hipóteses capazes de explicar os inúmeros casos supranormais que cita, Richet conclui, como sempre, que a comunicabilidade dos mortos é mais racional.
Quando mesmo, porém, não chegasse a semelhante conclusão, para lhe sermos gratos, bastaria o imenso acervo de fenômenos que ele apresenta ao mundo científico e onde vamos assentar os princípios que trarão à humanidade uma religião nova, que não a da adoração do dólar.
(...)
Incontestavelmente, conquanto nunca se tenha afirmado espírita, Charles Richet figura, certamente, entre os missionários que mais contribuíram para a afirmação dos fenômenos e postulados espiritistas.
Se ele relutou, muitas vezes, em aceitar essas propostas como verdades científicas absolutas, devemos compreender a sua condição de homem afeito aos laboratórios de pesquisas fisiológicas, para repetir, ainda, com o saudoso professor Ismael Gomes Braga:92
“É muito compreensível em um professor de Fisiologia esse esforço por explicar tudo independentemente da sobrevivência, e seria estreito sectarismo nosso não vermos com simpatia a luta de 62 anos de um grande homem, para impor os fatos ao mundo científico, luta em que ele só tem vencido sobre mil dificuldades, com imensos sacrifícios”.

90 No Invisível, 5. ed., pág. 33 e 34.
91 Reformador, 16 de dezembro de 1935.
92 Reformador, janeiro de 1935, pág. 59.