PENTATEUCO KARDEQUIANO

PENTATEUCO  KARDEQUIANO
OBRAS BÁSICAS
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domingo, julho 24, 2016

ÉTICA

Ele tinha onze anos e, cada oportunidade que surgia, ia pescar no cais próximo ao chalé da família, numa ilha que ficava em meio a um lago.  A temporada de pesca só começaria no dia seguinte,   
mas pai e filho saíram no fim da tarde para pegar apenas peixes cuja captura estava liberada.
O menino amarrou uma isca e começou a praticar arremessos, provocando ondulações coloridas na água.
Quando o caniço vergou, ele soube que havia algo enorme do outro lado da linha. O pai olhava com admiração, enquanto o garoto habilmente, e com muito cuidado, erguia o peixe exausto da água.
Devagar, tirou o anzol da boca do enorme peixe e o devolveu à água escura. O peixe movimentou rapidamente o corpo e desapareceu. E, naquele momento, o menino teve certeza de que jamais veria um peixe tão grande quanto aquele. Isso aconteceu há trinta e quatro anos. Hoje, o garoto é um arquiteto bem-sucedido. O chalé continua lá, na ilha em meio ao lago, e ele leva seus filhos para pescar no mesmo cais.  Sua intuição estava correta.
Nunca mais conseguiu pescar um peixe tão maravilhoso como o daquela noite.
Porém, sempre vê o mesmo peixe repetidamente todas as vezes que depara com uma questão ética. Porque, como o pai lhe ensinou, a ética é simplesmente uma questão de certo e errado.
Agir corretamente, quando se está sendo observado, é uma coisa. A ética, porém, está em agir corretamente quando ninguém está nos observando.
Essa conduta reta só é possível quando, desde criança, aprendeu-se a devolver o PEIXE À ÁGUA. A história valoriza não como se consegue ludibriar as regras, mas como, dentro delas, é possível fazer a coisa certa.  A boa educação é como uma moeda de ouro:   TEM VALOR EM TODA PARTE.
            ”Os pequenos atos que se executam são melhores que todos aqueles grandes que apenas se planejam.“
(George C. Marshall)
Livro dos Espíritos
629 - Que definição se pode dar da moral ?
A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal.


quinta-feira, maio 26, 2016

Suíça e cultura brasileira

Para reflexão e...  AÇÃO.
A diferença entre os países pobres e os ricos não é a idade do país.
Isto pode ser demonstrado por países como Índia e  Egito, que têm mais de  2000 anos e são pobres.
Por outro lado, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150  anos eram   inexpressivos, hoje são países desenvolvidos e ricos.
A diferença entre países pobres e ricos também não reside nos recursos naturais disponíveis.
O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e a criação de gado, mas é a segunda economia mundial.
O Japão é como uma imensa fábrica flutuante, importando matéria-prima do mundo todo e exportando produtos manufaturados.
Outro exemplo é a Suíça, que não planta cacau mas tem o melhor chocolate do mundo.
Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas quatro meses no ano.
Não obstante, fabrica laticínios da melhor qualidade.
É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, o que o transformou na caixa forte do mundo.
Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países pobres mostram que não há diferença intelectual significativa.
A raça ou a cor da pele também não são importantes: imigrantes rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países europeus ricos.
Qual é então a diferença? Está no nível de consciência do povo, do seu espírito. Evolução da consciência deve se constituir no objetivo maior do Estado em todo os seus níveis de poder. Bens e serviços são apenas meios.
A educação (para a vida) e a cultura, ao longo dos anos, deve plasmar  consciência  coletivas estruturadas nos valores eternos da sociedade – moralidade, espiritualidade e ética.
Solução-síntese: transformar a consciência do brasileiro. O processo deve ter início nas comunidades - é onde vive e convive o cidadão.
Comunidades, quando organizadas politicamente (Associações de Moradores, Clubes de Mães, Clubes de idosos etc.) tornam-se microestados.
As transformações desejadas pela Nação para o Estado Brasileiro serão efetivadas nesses microestados, os átomos do organismo nacional- Confirma a Física Quântica.
Ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria adota o paradigma quântico – prevalência do espírito sobre a matéria. Adotam os seguintes princípios de vida:
1. A ética, como princípio básico.
2. A integridade.
3. A responsabilidade.
4. O respeito às leis e regulamentos.
5. O respeito pelo direito dos demais cidadãos.
6. O amor ao trabalho.
7. O esforço pela poupança e pelo investimento.
8. O desejo de superação.
9. A pontualidade.
SOMOS ASSIM POR VER ALGO DE ERRADO E  DIZER: “DEIXA-PRA-LÁ”
A preocupação de todos nós deve ser com a sociedade, a causa, e não apenas com a classe política, o triste efeito.
Só assim mudaremos o Brasil de hoje.
Vamos agir! Reflitamos sobre o que disse Luter King:
"O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética.  O que mais preocupa é o silêncio dos bons."
Pense nisso....


quinta-feira, janeiro 03, 2013

A GENÉTICA ANTE A DOUTRINA ESPÍRITA

ALGUNS COMENTÁRIOS          ̶          JORGE HESSEN
Recentemente, nasceu na Espanha um bebê selecionado geneticamente para curar uma doença de outra pessoa. Javier é o oitavo bebê nascido na Andaluzia sem doenças hereditárias, graças ao Diagnóstico Genético Pré-Implantatório- DGP. A técnica pode ser aplicada para doenças como fibrose cística, hemofilia A e B, distrofia muscular e mal de Huntington, entre outras. Se as doenças sempre apresentam um componente genético, mesmo que débil, tentar abordá-lo e neutralizá-lo é benéfico em termos de saúde pública. Em Portugal, dois gêmeos saudáveis, com 16 semanas, são a prova do êxito do teste desenvolvido no Porto por um grupo de investigadores. A mãe, de 24 anos e portadora de paramiloidose, vulgarmente conhecida por doença dos pezinhos, recorreu a um processo de fertilização "in-vitro", que permitiu obter o diagnóstico genético do embrião, antes da sua implantação no útero.  A transferência foi bem sucedida e o exame pré-natal, das 16 semanas, confirmou a saúde dos bebês. Embora a sua aplicação não seja muito comum, já foram desenvolvidos testes de diagnóstico genético para diversas doenças, nomeadamente para anomalias cromossômicas.   
                                                                                                                              
A combinação do conhecimento genético com os avanços da tecnologia reprodutiva já permite, aos pais, selecionar alguns dos genes que querem (ou não) transmitir aos seus filhos.  Mas, por enquanto, inserir genes em embriões é uma tecnologia cheia de imperfeições, com mais riscos do que benefícios, e que deverá demorar, ainda, algumas décadas antes de a situação se alterar. Será possível "produzir" bebês resistentes ao cancro, às doenças cardíacas e mentais e, até, à AIDS. Estamos convictos de que o conhecimento da condição de risco genético de cada ser se torna necessário e obrigatório para a prevenção de doença, constituindo-se em uma tecnologia social que pode estabelecer modos de relacionamento do indivíduo consigo mesmo, com a família e com a sociedade.  Todavia, opções legais poderão bloquear esses avanços da genética que, entre os cientistas, não são aceitas, unanimemente, sob o ponto de vista ético.
 O tema pode nos levar a refletir, também, sobre o nefasto eugenismo de Francis Galton (1), que permanece como a caução científica de toda pretensão a se predizer o futuro de um indivíduo.   
A doutrina da eugenia, fundada por Galton, tinha como princípio gerar uma elite genética pelo controle rigoroso da reprodução humana,favorecendo a perpetuação dos indivíduos com caracteres de comportamento desejáveis e, proscrevendo os indesejáveis.
Sabemos que alguns Estados totalitários, do século XX, chegaram a adotar a eugenia como programa de desenvolvimento social com trágicas consequências.
O que pode ocorrer com a disponibilização comercial de testes, relativos a características humanas complexas, para aplicação em embriões "in vitro" em procedimentos de diagnóstico genético pré-implantatório? É interessante refletir que, muito antes de a hereditariedade ser explicada em bases biológicas, hoje, bases genéticas, as noções de SANGUE e parentesco eram usadas para explicar as desigualdades sociais. A superioridade do SANGUE AZUL era tema, historicamente discutido, e que refletia interesses de castas.
Concomitantemente às descobertas científicas, no campo da genética, foram-se somando aflições de ordem moral e ética: em consequência, dessas dúvidas e inquietações, é que surgiu um novo campo de estudo: "a Bioética, que objetiva a orientar os profissionais e a sociedade como um todo quanto aos rumos, aplicações e limites relacionados à questão". (2)
 Não se pode desconsiderar que a genômica é uma atividade que, em suas redes e vínculos institucionais, políticos e econômicos, organiza-se sob a égide da poderosa indústria biotecnológica, representante privilegiada do capital globalizado. "Envolvem, também, políticos e gestores preocupados com o aumento dos gastos públicos com saúde e com o bem-estar das populações." (3)                                                                            
A genética tem sido responsável por uma enorme variedade de contribuições práticas em vários campos da ciência como a biologia, a medicina, a veterinária e a agricultura.               
As possibilidades da Engenharia Genética são inimagináveis. Porém, na Genética, a questão crucial não é o que pode ser feito, e sim o que deve ser feito com responsabilidade, bom senso e ética. A Engenharia Genética é vista com naturalidade pelo Espiritismo, como se pode ver na resposta do Espírito Emmanuel, no caso da fecundação assistida:                                                                        
"Tais espíritos vêm à luz mediante preparação espiritual?
- Sim, (...) obedecem aos Planos Superiores". (4)                                                                                             
O Espiritismo deve aceitar as pesquisas e revelações da Engenharia Genética, desde que tenham por objetivo a melhoria da saúde humana, quando dirigidas, essencialmente, para o bem da humanidade. Até porque, "os avanços da Ciência chegarão à Terra, como estão chegando, na proporção direta do merecimento planetário (embora, inicialmente, o homem faça mau uso)."(5)
Em suma, com relação ao tema, fazemos nossas as afirmativas de Eurípedes Kühl, "Prevendo doenças, mais fácil tratá-las. Menos doenças, menos dor. Menos dor, mais evolução espiritual.
Mais evolução espiritual, mais amor entre os homens.
E mais amor, mais próximos de Deus". (6)
FONTES:
(1) Francis Galton (1822-1911), médico e estatístico, é o fundador desse tipo de eugenismo
(2) Disponível no site http://www.espiritismoegenetica.espiridigi.net/
(3) Kerr A, Cunningham-Burley S. On ambivalence and risk: reflexive modernity and the new human genetics. Sociology. 2000; 34(2): 283-304.
(4) Disponível no site http://www.espiritismoegenetica.espiridigi.net/
(5) idem
(6) Kühl , Eurípedes. Genética e Espiritismo, Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1996

sexta-feira, junho 05, 2015

ESTUDO DA FILOSOFIA ESPÍRITA

INTRODUÇÃO ( ... ) A importância da Filosofia Espírita, além de facilitar a entrada de nossos conhecimentos nas esferas fora do mundo fenomênico, desdobra-se e ajuda-nos a mostrar ainda, o caminho racional da Reforma Íntima, confirmando ser desse modo, também, a base da Religião Espírita. É através da Filosofa que penetramos nos tópicos e na consciência da natureza do Espírito. É ela que irá mostrar-nos quanto é séria, tem lógica e estrutura na natureza universal e quanto é desprovida do sobrenatural e da mística. ( ... ) A Filosofia Espírita abrange todos os caminhos que levam ao entendimento, o conheci-mento, à indagação, ao raciocínio, à dúvida, às perguntas etc. Além do que a Filosofia Espírita já se encontra na tradição filosófica, acompanhando, assim, os passos da evolução intelectual, os quais impulsionam o homem para o progresso; daí, surgiu a revelação da Doutrina. O QUE É FILOSOFIA ? ( ... ) Hoje, em dia, ouvimos muita gente pronunciar a palavra Filosofia como, por exemplo: Filosofia de vida; ou um empresário dizer “a Filosofia de nossa empresa”, ou até no esporte, quando dizem “Filosofia de jogo” etc. Nota-se, então, que a palavra Filosofia é usada no sentido de regra, ou ainda, num modo de se comportar. Hoje, ela perdeu o seu verdadeiro sentido. ( ... ) Todo homem tem uma Filosofia de vida subjacente às suas atitudes, perante o mundo e a vida. Desse modo, num sentido vulgar e corrente na linguagem comum, a Filosofia é uma visão do mundo, uma concepção de vida que o homem adota para seu uso pessoal Mas a Filosofia, como disciplina mental, é uma das mais antigas atividades humanas. Antes dela, temos a Religião e a Arte. Esta remonta a uns “80 mil anos”, época em que datam talvez as primeiras pinturas das cavernas. A Filosofia procedeu do mito, pois, para o homem adaptar-se ao meio, precisou conhecer os fenômenos e as coisas e dar explicações sobre ela, criando o mito. Assim, o mito surgiu das necessidades conscientes e inconscientes que o homem teve de explicar seu meio, seus problemas desconhecidos. Depois da explicação, sentiu-se como que dono da situ-ação. Apossou-se, intelectualmente, do fato. O mito, em suma, é o pensamento anterior à reflexão e à crítica. Nasceu de uma atitude primária diante das coisas, sem rigor racional e sem crítica pessoal ( ... ) Portanto, pode-se dizer que a Filosofia nasceu da cultura dos gregos, porque, foram eles que, por uma inclinação natural do Espírito e dentro de um complexo histórico-cultural, voltaram-se para o mistério do Ser, tentando compreendê-lo e começando por desviá-lo do mito. Então, o anseio de conhecer algo, inerente à natureza do homem, conduziu ao pensamento filosófico, que é a forma mais nobre e profunda do pensamento humano. A Filosofia quer saber as razões profundas e últimas de todos os seres; é o conhecimento das essências e dos valores. O conhecimento filosófico possui uma dimensão de profundidade e radicalidade que o distingue, essencialmente, do conhecimento científico. Não é tão-só conhecimento total, mas também conhecimento radical. Cuida conceber a totalidade do Ser, a partir dos seus últimos princípios e fundamentos. A Filosofia apresenta-se, assim, como a Ciência dos fundamentos. ( ... ) A Filosofia é, também, a Ciência das normas e das leis gerais imanentes ao pensamento e o conhecimento, de onde procedem, por sua vez, das regras e das leis de todo pensamento e conheci-mento muito especiais. No sentido etimológico a palavra Filosofia é formada de dois termos gregos: filos ( amigo ) e sofia ( sabedoria ) O filósofo, como se entende da junção das duas palavras, seria não um detentor de todo o saber, mas um seu aficionado ou pretendente à sabedoria. ( ... ) Segundo Cícero, foi Pitágoras o criador do vocábulo FILOSOFIA. Quando o príncipe Leonte, comenta Cícero, perguntou a Pitágoras em que arte era versado, respondeu-lhe que em nenhuma. Era um filósofo, isto é, um estudioso e amigo da sabedoria: um filósofo. A Filosofia é filha da razão, aparece no próprio pensamento racional. ( ... ) Então, o que distingue o pensamento filosófico? As questões formuladas pelos filósofos têm duas características peculiares: a Abstração e a preocupação com a Verdade. A FILOSOFIA ESPÍRITA A Filosofia Espírita apareceu com a Codificação da Doutrina sendo mais bem exposta no “O Livro dos Espíritos”. Ela é uma filosofia revelada pelos Espíritos, diferenciando-se de todas as outras, como, por exemplo, das Filosofias de Kant, Espinosa, Descartes, Augusto Comte, Aristóteles etc., que são necessariamente influenciados pelas opiniões, tendências, preconceitos e sentimentos, como também pela época e lugar. A Filosofia Espírita é impessoal, universal, escapa a maior parte dessas influências, diferenciando-se, também, das outras, porque ela não é uma escola filosófica ou um sistema filosófico. ( ... ) A Filosofia Espírita sintetiza em sua ampla dinâmica a conceituação de todas as conquis-tas reais da tradição filosófica, ao mesmo tempo em que inicia o novo ciclo dialético da nova civiliza-ção em perspectiva. DIVISÃO DA FILOSOFIA ESPÍRITA A Filosofia Espírita é extensa e se desdobra em diferentes aspectos. Podemos dividi-la em: - Metafísica ( a palavra Metafísica surgiu no ano 70 a. C. com Andrônico de Rhodes que depois de organizar os Tratados das Ciências de Aristóteles, deparou-se com as especulações abstratas a respeito do Ser, do mundo etc., colocando-as sob o rótulo Metà Physiká, isto é, “além da física”. As perspectivas metafísicas ou filosóficas são tentativas para afirmar tudo aquilo que não se pode dizer apoiado, apenas, nos dados das Ciências, ou seja, através da via empírica) – contém: - Teologia ( Teoria de Deus) - Ontologia ( Teoria do Ser) - Cosmologia ( Teoria do universo) - Antropologia ( Teoria do Homem) - Axiologia ( Teoria dos Valores).... cabe a Sócrates o título de fundador da Axiologia que cuida dos valores Mo-rais. - Gnosiologia ( Teoria do Conhecimento).....como verdadeiro fundador da Teoria do Conhecimento apresenta-se Emmanuel Kant. Antes de entrarmos no estudo destas divisões. Podemos comentar o problema do Conhecimento, sempre alvo de estudo, desde as primeiras indagações filosóficas. Na Filosofia Espírita, a Gnosiologia (Teoria do Conhecimento) é uma das questões importantes para o Conhecimento do Espírito, pois estuda a aquisição do conhecimento, desde que “compreendamos que a Mônada, síntese de Es-pírito e matéria, é uma unidade infinitesimal, sobre a qual se apóia toda a realidade, sendo o Espírito o princípio inteligente do Universo”. (Agonia das Religiões, de J.Herculano Pires). A Axiologia (Teoria dos Valores) podemos dividi-la em Estética e Ética. A Estética estuda os valores referentes ao Belo e às Artes, enquanto a Ética estuda os valores morais e a maneira conveniente de o homem se comportar. Dentro da Metafísica, estudamos Deus na Teologia; a concepção de Deus dentro da Doutrina Espírita. Na Ontologia, o problema do Ser e sua evolução, o Espírito encarnado e desencarnado. Na Cosmologia, o Universo, a Criação e outros mundos. Na Antropologia, o Ser encarnado e sua evolução no corpo físico, e as várias raças. ( Estudo da Filosofia Espírita - Jefferson José Bui ) ****************** O espiritismo é a porta da esperança para um mundo melhor
( Humberto de Campos – espírito )

sábado, dezembro 15, 2007

SEGURANÇA

Segurança

Valdomiro Halvei Barcellos

A delinqüência está implantada na Terra em proporções catastróficas, imprevisíveis, seu nível esta exigindo de todos os homens probos e lúcidos acuradas reflexões.

Sociólogos, educadores, psicólogos, religiosos, políticos, cidadãos comuns, preocupados com a expressiva mole de delinqüentes de toda a lavra, especialmente os perversos e violentos, aprofundam pesquisas, improvisam soluções, experimentam métodos, aderem aos impositivos da precipitação, oferecem sugestões que triunfam por um dia e sucumbem no imediato, tudo prosseguindo como antes, se não mais turbulento, mais inquietador.

Os milênios de cultura e civilização parece que em nada contribuíram a benefício do homem.O ser humano esta mais esclarecido, porém não civilizado.

CAUSAS DA VIOLÊNCIA

>A Política de conquista e expansão, geradora do vandalismo, por parte de algumas civilizações, resultando, numa visão superficial, por via de conseqüências desse estado sócio-moral decorrente: a delinqüência, a perversidade e a violência que fluem abundantes, dos campos das guerras sujas e cruéis;

>necessidade da moderna tecnologia em libertar os países super-desenvolvidos do excesso de armamentos bélicos e dos equipamentos militares ultrapassados, gerando focos de conflitos a céus abertos entre povos em fases embrionárias de desenvolvimento ou sub-desenvolvidos, martirizados e destroçados às expensas dos interesses econômicos alienígenos, dominadores arbitrários;

>condicionamento psicológico do homem à técnica da matança desenfreada e selvagem, atormentado pelo medo contínuo às demoradas contingências da insegurança, incerteza e angústia disso resultantes, adestrado para matar antes e examinar depois, a fim de a si mesmo poupar-se, obrigando-se a cruciais Situações, ingerindo drogas para sustentar-se, açular sensações, aniquilar sentimentos, só, mui dificilmente, poderá reencontrar-se, mesmo que transladado dos campos de combate para as comunidades pacíficas e ordeiras;

>injustiça social, parece ser a causa eficiente de nosso Pais, vigente entre as diversas classes humanas, de que padecem os trabalhadores e os menos favorecidos sempre arrojados às posições subalternas ou nenhures, mal remunerados, ou sem salário algum, subnutridos, abandonados, atirados aos redutos sórdidos das favelas, guetos e malocas, vivendo de "expedientes", dependentes uns dos outros, em aventuras, urdem na mais penosa miséria econômica, da qual se derivam as condições mosológicas deploráveis - causas de enfermidades orgânicas e psíquicas de diagnose difícil quão ignoradas, geradoras de ódios, brutalidades e sevícias, nos quais se desarticulam os padrões do sentimento, substituídos por frieza emocional resultante de inditosa esquizofrenia paranóide - os desforços contra a Sociedade indiferente que os relega a estágio primitivo, sub-humano;

>indiferença social; condições morais das famílias abastadas - tendo-se em conta que a delinqüência flui, também, abundante e referta, assustadora e rude, em tais meios assinalados pela linhagem social e pela tradição - cujos exemplos, nem sempre salutares, substituem o cumprimento dos retos deveres pelo suborno ou os transferem para a realização a empregados e ou pedagogos remunerados, enquanto os pais se permitem desconsiderações recíprocas, desprezo a leis e costumes, impondo os seus caprichos e desaires como normas aceitas, convenientes, sobre as quais estatuem as diretrizes do comportamento, agindo de maneira desprezível, apesar da aparência respeitável...;

>leviandade de mestres e educadores imaturos;

>honorários indignos pagos aos Educadores pelos relevantes serviços e misteres de preparação das mentes e caracteres em formação, contribui, igualmente, com larga quota de responsabilidade no capítulo da delinqüência juvenil, da agressividade e da violência vigentes, ameaçadoras, câncer perigoso a dizimar com crueldade o organismo social do Planeta;

>vida estrangulada nos congestionamentos urbanos, onde as cifras da delinqüência se fazem superlativas, cada dia ultrapassando as anteriores;

>falência da ética religiosa do passado, que depois da constrição proibitiva a todos os processos evolutivos viam-se ultrapassadas, sentindo necessidade de atualização para a sobrevivência, saltando do estágio primário da proibição pura e simples para o acumpliciamento e acomodação a pseudo valores novos, não comprovados pela qualidade de conteúdo;

>orquestração, por parte da mídia, assim como da arte cinematográfica e televisiva das ocorrências configuradas como crime ou contravenção;

>sistema policial ultrapassado;

>"justiça lenta";

>"superlotação carcerária";

>"crime organizado";

ENTENDENDO O DELINQÜENTE

O delinqüente padece, não raro, de distúrbios endógenos ou exógenos que o impelem ou predispõem à violência, que se desdobra ante os demais contributos sociais, econômicos, mesológicos...

Sem qualquer dúvida, a desarmonia endocrínica, resultante da exigência hereditária, as distonias psíquicas se fazem vigorosos impositivos para a alienação e a delinqüência. Muitos traumas psicológicos e recalques que procedem do próprio espírito aturdido e infeliz espocam como complexos destrutivos da personalidade, expulsando-os para os porões do desajuste da emoção e para a rebeldia sistemática a que se agarram, buscando sobreviver, não raro enlouquecendo pela falta de renovação e pela intoxicação dos fluidos e miasmas psíquicos que cultivam.

Além disso, os distúrbios orgânicos, as seqüelas de enfermidades várias, os traumatismos ocasionados por golpes e quedas são outra fonte de desarranjos do discernimento, ensejando a fácil eclosão da violência e da agressividade.

O MOMENTO ATUAL

As causas são alarmantes, há que se tomar providencias urgentes e emergenciais. Todos os segmentos da Sociedade têm que se engajar no combate a violência.

A reforma dos Códigos de Justiça se impõe para agilizar o andamento dos Processos. Políticas de:

  • emergência ou seriam de urgência?!;
  • reestruturação do Sistema Policial;
  • emprego das Forças Armadas;
  • construção de presídios - escolares - agrícolas e de trabalhos forçados, todos com as devidas assistências orgânicas - psicológicas;
  • participação da Mídia.
  • Reforma Social.
  • Saúde.
  • Educação.

Educação-Moral, conforme estudamos nas obras Básicas da Doutrina Espírita.

REFORMA SOCIAL

A reforma social deve partir da reforma moral do ser humano, de dentro para fora, do indivíduo para a sociedade. O instrumento adequado para a realização desse ideal é a EDUCAÇÃO, no seu mais amplo e abrangente sentido, como promotora da cultura intelectual e da elevação dos padrões éticos, sem esquecer o trabalho de adequação do corpo físico...

Não podemos pensar em educação sem proporcionarmos condições de Saúde "saco vazio não para em pé", aqui também O Momento Atual requer um esforço concentrado total.

EDUCAÇÃO

A valorização da Vida e o Respeito pela Vida conduzirão pais, mestres, educadores, religiosos e psicólogos a uma engrenagem de entendimento fraternal com objetivos harmônicos e metódicos - exemplos capazes de sensibilizar a alma infantil e conduzi-la com segurança às metas felizes que devem perseguir.

Por coerência, espiritualmente renovado e educado, o homem investirá contra a chaga vergonhosa da injustiça social, contra os torpes métodos que fomentam a miséria econômica e seus fâmulos, contra o inditoso e constritivo meio-ambiente pernicioso, contra o orgulho, o egoísmo e a indiferença.

O Homem iluminado interiormente pela flama da Consciência Cósmica, que se segue a Consciência de Si (Psí), sabendo-se herdeiro de si mesmo, modifica-se e muda o meio onde vive, transformando a comunidade que deixa de a ele se impor para dele receber a contribuição expressiva, retificadora.

Os Homens são, pois, seus feitos.

A sociedade é os homens que a constituem.

A vida humana resulta dos Espíritos que a compõem.

Nesse cometimento todos estamos engajados e ninguém se pode omitir, porquanto somos igualmente responsáveis pelas ocorrências da delinqüência, perversidade e violência - esses teimosos remanescentes da natureza animal do homem em luta consigo mesmo para insculpir o bem e libertar dos grilhões do primarismo terreno a sua natureza espiritual.

Educação, o aprendizado da Vida. Processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual e moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social. (Aurélio). Idéias básicas: desenvolvimento físico, intelectual e moral, portanto, dentro do dualismo corpo/espírito e integração individual e social. É tanto necessário cuidar do físico como do componente espiritual, dois aspectos distintos que exigem tratamento diferenciado, mas integrado, visando uma finalidade única: a otimização de suas condições evolutivas. Podemos observar ainda que na conceituação do processo educacional o dicionarista caracteriza com prioridade dois aspectos fundamentais: o intelectual e o moral.

A falta de ética adequada na estruturação do processo educacional pode acarretar conseqüências calamitosas para toda a comunidade humana. Seria contraditório e moralmente inaceitável um processo educacional que treinasse e produzisse indivíduos anti-sociais. Entende-se o ser humano como entidade eminentemente social, que não vive só. É nas inúmeras comunidades espalhadas pelo mundo que homens e mulheres convivem, aprendem, trabalham e buscam suas realizações pessoais. A idéia diretora de toda essa programação humana é a educação física, intelectual e moral do ser humano, visando à sua melhor integração individual e social.

Iniciar desde já o emprego de maciços recursos orçamentários na área da SAÚDE e EDUCAÇÃO: o Governo, a Classe Empresarial, a Classe Rural, a Classe Agrícola, a Classe "A", a Classe dos Banqueiros, a Classe Esportiva que já vem dando Bons exemplos.

Temos, também, o Terceiro Setor com a Lei do Voluntariado, já dando mostra de um Caminho de Luz e não poderia deixar de lembrar as Sociedades assistenciais de todos os segmentos filosóficos e religiosos, há tanto tempo exemplificando estoicamente qual é o caminho.

Temos ouvido apregoar a Distribuição de Renda. Entendo que seja distribuição de recursos amoedados. Não surtirá efeitos. Melhora judiciosa de salários sim. Distribuição igualitária não. Pois que as pessoas são desiguais; os méritos as capacidades as inteligências são desiguais; os níveis de consciência são diferentes. Então pensamos que os governantes em particular e os Cidadãos em geral devem pensar e executar a divisão de Bem-Estar o que é diferente. Pois o Ser Humano deve viver Bem (com BEM-ESTAR) no seu nível, social, moral, intelectual, para que dinamizando-o, dê um SALTO QUÂNTICO.

CONCLUSÃO

A simples preocupação dos interessados - E A QUESTÃO NOS DIZ RESPEITO A TODOS NÓS -, não resolve, se medidas urgentes e práticas, mediante uma política educativa generalizada, não se fizerem impor, antes da erupção de males maiores e das suas conseqüências em progressão geométrica, apavorantes, com as cidades transformadas em imensos palcos para o espetáculo cada vez mais rude da delinqüência e dos seus famigerados comparsas; bem como Políticas resultantes de Altos Estudos Estratégicos elaboradas por Personalidades de Notório Saber.

Tem-se procurado reprimir a delinqüência sem se combaterem as causas fecundas da multiplicação. Muito fácil, parece, a tarefa repressiva, inútil, porém, quando não se transforma em um fator a mais para a própria violência.

A terapêutica para tão urgente questão há de ser preventiva, exigindo dos adultos que se repletem de Amor, a fim de que moralizando-se, possam educar as gerações novas, propiciando-lhes clima salutar de sobrevivência psíquica e realização humana.

Os distônicos mento-psicossomáticos catalogados com psicopatologias e sociopatias qualificadas receberão a benção da reclusão em ambientes humanizados e não animalizados como os atuais;

Portadores de perturbação psíquica de qualquer procedência e violenta serão amados e atendidos por uma Medicina mais humana e mais interessada nos pacientes que preocupada em auferir lucros e homenagens com que muitos profissionais se envilecem, em tortuosa correria para a fama e o poder...

PARA MEDITAR

ARISTOCRACIA

Aristos, o melhor, e kratos, poder. Poder dos melhores.

As Aristocracias tiveram sua razão de ser; nasceram do estado da Humanidade:

a Patriarcal;

a da Autoridade da Força Bruta, que dividiu a sociedade em duas classes, a dos superiores e a dos inferiores, os que mandam e os que obedecem gerando a aristocracia do Nascimento, com força mercenária e Poder Divino;

a Burguesa;

a da Inteligência.

A inteligência nem sempre constitui penhor de moralidade e o homem mais inteligente pode fazer péssimo uso de suas faculdades. Doutro lado, a moralidade, isolada, pode, muita vez, ser incapaz. A reunião dessas duas faculdades, INTELIGÊNCIA E MORALIDADE, são, pois, necessária a criar uma preponderância legítima, a que a massa se submeterá cegamente, porque lhe inspirará plena confiança, pelas suas luzes e pela sua justiça.

Será essa a última aristocracia, a que se apresentará como conseqüência, ou, antes como sinal do advento do reinado do bem na Terra. Ela se erguerá muito naturalmente pela força mesma das coisas. Quando os homens de tal categoria forem bastante numerosos para formarem uma maioria imponente, a massa lhes confiará seus interesses.

Todas preencheram ou preencherão seu tempo, conforme os países, porque nenhuma teve por base o princípio moral; só este princípio pode constituir uma supremacia durável, porque terá a animá-la sentimentos de justiça e caridade. A essa aristocracia chamaremos: aristocracia intelecto-moral.

Mas, semelhante estado de coisas será possível com o egoísmo, o orgulho, a cupidez que reinam soberanos na Terra? Responderemos terminantemente: sim, não só é possível, como se implantará, por ser inevitável.

Já hoje a inteligência domina; é soberana, ninguém o pode contestar. É tão verdade isto, que já se vê o homem do povo chegar aos cargos de primeira ordem. Essa aristocracia não será mais justa, mais lógica, mais racional, do que a da força bruta, do nascimento, ou do dinheiro? Por que, então, seria impossível que se lhe juntasse a moralidade? - Porque, dizem os pessimistas, o mal domina sobre a Terra. Quem ousará dizer que o bem nunca o sobrepujará? Os costumes e, por conseguinte as instituições sociais, não valem cem vezes mais hoje do que na Idade Média? Cada século não se assinala por um progresso? Por que, então, a humanidade pararia, quando ainda tem tanto a fazer? Por instinto natural, os homens procuram o seu bem-estar; senão o acharem completo no reino da inteligência, procurá-lo-ão algures, e onde poderão encontrá-lo, senão no reino da moralidade? Para isso, torna-se preciso que a moralidade sobrepuje numericamente. Não há contestar que muitíssimo se tem que fazer; mas, ainda uma vez, fora tola pretensão dizer-se que a Humanidade chegou ao apogeu, quando é vista a avançar continuamente pela senda do progresso.

Digamos, antes de tudo, que os bons, na Terra, não são absolutamente tão raros como se julga; os maus são numerosos, é infelizmente verdade; o que, porém, faz pareçam eles ainda mais numerosos é que têm mais audácia e sentem que essa audácia lhes é indispensável ao bom êxito. De tal modo, entretanto, compreendem a preponderância do bem, que, não podendo praticá-lo, com ele se mascaram.

Os bons, ao contrário, não fazem alarde das suas boas qualidades; não se põem em evidencia, donde o parecerem pouco numerosos. Pesquisai, no entanto, os atos íntimos praticados sem ostentação e, em todas as camadas sociais, deparareis com criaturas de natureza boa e leal em número bastante a vos tranqüilizar o coração, de maneira a não desesperardes da Humanidade. Depois cumpre também dizê-lo, entre os maus, muitos há que apenas o são por arrastamento e que se tornariam bons, desde que submetidos a uma influencia boa.

TODA CONTRIBUIÇÃO DE AMOR COMO DE PACIÊNCIA, TODA DÁDIVA DE LUZ COMO DE SABERES SÃO VALIOSAS OFERENDAS PARA O AMANHÃ DE PAZ E VENTURA QUE ANELAMOS.

Bibliografia:

  • O Espiritismo e os problemas humanos, U.S.E. Editora.
  • Conduta Espírita, FEB Departamento Editorial.
  • Estudos Espíritas, FEB Departamento Editorial.
  • Obras Póstumas, FEB Departamento Editorial.

segunda-feira, fevereiro 13, 2017

Zika Vírus e o Aborto

Os que defendem a legalização do aborto encontraram na associação do aumento da microcefalia com o surto de zika vírus uma oportunidade para retomar a discussão da liberação do aborto no Brasil. Recentemente foi noticiado que grupo liderado pela Débora Diniz, do instituto de bioética Anis, prepara uma ação no STF para a liberação do aborto em casos de microcefalia. É o mesmo grupo que propôs a ação para interrupção da gravidez de anencéfalos, acatada pelo STF em 2012.   A bióloga e feminista Ilana Löwy, numa entrevista para a Revista ÉPOCA, vê no surto de zika vírus uma oportunidade para se debater o direito de decisão da mulher de ter ou não o bebê, como aconteceu com a epidemia de rubéola no Reino Unido. Interessante é que a Rubéola hoje em dia é uma doença totalmente controlável e passível de prevenção através da vacinação, deixando de ser um risco epidêmico, usado como justificativa para a liberação do aborto na Europa.                            Os argumentos utilizados se baseiam na liberdade da mulher poder escolher o que é melhor para si, esquecendo que existe uma vida a qual se está negando o primeiro e mais fundamental dos direitos humanos, o direito à vida.                                                                                                                      Cabe ressaltar que os fundamentos utilizados para liberar o aborto dos fetos anencéfalos não se aplicam nesses casos.                                                                                                                                            O diagnóstico da microcefalia é tardio, em torno da 28ª semana, diferentemente da anencefalia, que é feito a partir da 12ª semana de gestação.                                                                                               As lesões da microcefalia geralmente aparecem na ultrassonografia depois da 24ª e não são incompatíveis com vida, como nos casos de anencefalia.                                                                             Além disso, o diagnóstico ecográfico de lesão neurológica não é 100% seguro, já que depende da análise de um profissional passível de equívocos. Existem inúmeros relatos de erros em fetos com diagnóstico de mal-formações neurológicas e que nasceram perfeitamente normais.
No entanto, os que argumentam em favor do aborto querem transformar o diagnóstico de microcefalia em atestado de morte para todas as crianças das mães que contraíram o zika vírus e que optarem pela interrupção da gravidez, mesmo com possibilidades de nascerem normais ou com poucas sequelas neurológicas.                                                                                                                
Com o avanço da medicina fetal e da genética médica, hoje é possível a detecção, ainda no útero, de várias anomalias fetais. Diversas técnicas como ultrassom morfológico, ultrassom de terceira dimensão, a biópsia de vilos coriais, a amniocentese, a cordocentese, o desenvolvimento da técnica citogenética molecular permitem o diagnóstico intrauterino de várias doenças. O diagnóstico permite iniciar o tratamento antes do nascimento, como cirurgias intrauterinas para correções de más-formações, assim como a preparação psicológica dos pais para o enfrentamento das graves anomalias.                                                                                                    
Querer selecionar apenas as crianças saudáveis com direito à vida é retomar a prática da eugenia feita na Grécia antiga e pelo nazismo, abrindo um precedente para a liberação do aborto em outros casos de microcefalia como as causadas por hipóxia neonatal, desnutrição grave na gestação, fenilcetonúria materna, rubéola congênita na gravidez, toxoplasmose congênita na gravidez, infecção congênita por citomegalovírus ou em doenças genéticas como Síndrome de Down, Síndrome de Cornelia de Lange, Síndrome Cri du Chat, Síndrome de Rubinstein – Taybi, Síndrome de Seckel, Síndrome de Smith-Lemli–Opitz e Síndrome de Edwards.                                        Nesses casos pessoas como Ana Carolina Dias Cáceres, moradora de Campo Grande (MS), hoje com 24 anos e formada em jornalismo, e tantas outras crianças em situações parecidas, não teriam direito à vida.
Ao saber da iniciativa de alguns em defender o aborto de fetos com microcefalia, Ana Cáceres veio a público dar seu depoimento a BBC do Brasil em defesa dos portadores de microcefalia.                                                                                                                       
Nos casos microcefalia não se pode falar na opção de abortamento, pois não se trata de patologia letal que inviabilize a vida extrauterina. Embora as limitações que possam surgir, a expectativa de vida das crianças com microcefalia não são diferentes das outras crianças, exigindo, no entanto, estimulação e cuidados especiais para melhorar a sua qualidade de vida.
A discussão do aborto em casos de microcefalia retrata bem o momento pós-moderno em que vivemos, o que Bauman, um dos maiores pensadores da atualidade, chama de modernidade líquida. Na modernidade líquida os indivíduos não possuem mais padrões de referência, nem códigos sociais e culturais que lhes possibilitem, ao mesmo tempo, construir sua vida e se inserir dentro das condições de classe e cidadão.                                                                                 
A modernidade líquida trouxe descentramento do homem, do sujeito, produzindo identidades híbridas, locais e globais, efêmeras sobre tudo. É a cultura do efêmero, da destruição criativa, “tudo que é sólido desmancha no ar” na imagem trazida por Berman.                                                     Para a maioria dos autores, a pós-modernidade é marcada como a época das incertezas, das fragmentações, do narcisismo, da troca de valores, do vazio, do niilismo, da deserção, do imediatismo, da efemeridade, do hedonismo, da substituição da ética pela estética, da apatia, do consumo de sensações e do fim dos grandes discursos.                                                                                 A educação recebida dos pais e das escolas, os valores morais que orientam as boas relações sociais, o fortalecimento da família e a busca do bem comum está perdendo espaço para novas formas de comportamento regidas pelas leis do mercado, do consumo e do espetáculo.                     Existe uma crise de valores com perda de referenciais importantes em detrimento de uma vida superficial e de um discurso liberal.                                                                                                                   Na sociedade pós-moderna predomina o ter acima do ser, o prazer pelo prazer, o prazer acima de tudo, a permissividade que justifica que tudo é bom desde que me sinta bem, o relativismo no qual não há nada absoluto, nada totalmente bom ou mau e as verdades são oscilantes, o consumismo, se vive para consumir, e o niilismo caracterizado pela subjetividade, a paixão pelo nada, numa indiferença assustadora.                                                                                                                 Renata Araújo descreve muito bem o sujeito pós-moderno:
“A pós-modernidade nos apresenta um sujeito imediatista, fragmentado, narcisista, desiludido, ansioso, hedonista, deprimido, embora também informatizado, buscando independência, autonomia e defesa de seus direitos. Mas, a supervalorização e autonomia geram um individualismo, um egocentrismo, uma ênfase na subjetividade, sendo o outro apenas para a consecução de seus objetivos pessoais.” (ARAÚJO, p. 1 e 2)
Vive-se numa época de grande competitividade e de pouca solidariedade. Em nome dessa nova ideologia, os indivíduos se permitem agir passando por cima de valores fundamentais.                                                                                                   
A coisificação da vida e o predomínio dos interesses pessoais em detrimento do coletivo são bem característicos dessa fase em que vivemos.                                                                                                       Entretanto, aprendemos com a genética que a diversidade é a nossa maior riqueza coletiva. E o feto anômalo, mesmo o portador de grave deficiência, como é o caso da microcefalia, faz parte dessa diversidade. Deve ser, portanto, preservado e respeitado.                                                                 Necessário se faz proteger também a gestante, dando a ela apoio em sua gravidez e proporcionando tratamento ao seu futuro filho.                                                                                             Reconhecemos que a mulher que gera um feto deficiente precisa de ajuda psicológica por longo tempo; constatamos, porém, que, na prática, esse direito não lhe é assegurado.                                   O aborto provocado é um procedimento traumático com repercussões gravíssimas para a saúde mental da mulher e que geralmente aparecem tardiamente.                                                                       O aborto produz um luto incluso devido à negação da ocorrência de uma morte real, mas esse aspecto é totalmente desconsiderado.                                                                                                               As mulheres sofrem uma perda e suas necessidades emocionais são relegadas ou escondidas. Elas não conseguem vivenciar o seu luto e lidar com a culpa. Esse processo vai gerar profundas marcas e favorecer o surgimento da Síndrome pós-aborto (PAS).                                                                             Psiquiatras e psicólogos especializados em atender mulheres que abortaram alertam para o aumento dos transtornos emocionais causados pelo aborto provocado. Eles afirmam que os efeitos psicológicos do aborto são extremamente variados e não são determinados pela educação recebida ou pelo credo religioso. Esclarecem que a reação psicológica ao aborto espontâneo e ao aborto involuntário é diferente, está relacionada com as características de cada um desses dois eventos.
O aborto espontâneo é um evento imprevisto e involuntário, enquanto o aborto provocado interrompendo  o desenvolvimento do embrião ou do feto e extraindo-o do útero materno contempla a responsabilidade consciente da mãe. As mulheres que se submeteram ao aborto afirmam que a culpa não é gerada de fora para dentro, infundida nelas por outras pessoas ou pela religião, ao contrário, ela surge e cresce em seu mundo íntimo a partir do ato abortivo.                                                                                                                                                            
Os problemas emocionais gerados pelo aborto são tão graves, que em muitos países onde ele é legalizado, foram criadas, pelas próprias mulheres vitimadas pelo aborto, associações como a Women Exploited by Abortion (Mulheres Exploradas pelo Aborto) nos EUA, e a Asociación de Víctimas del Aborto (Associação de Vítimas do Aborto) na Espanha, que orientam e alertam sobre as consequências prejudiciais do aborto.                                                                               
O aborto não é definitivamente uma "solução fácil" como afirmam muitos, mas um grave problema, um ato agressivo que terá repercussões contínuas na vida da mulher.                                   As consequências danosas provocadas pelo aborto à saúde mental nos países onde ele foi legalizado é tão grave como a depressão profunda, que o Royal College of Psychiatrists (associação dos psiquiatras britânicos e irlandeses), alertaram que a mulher deve ser comunicada para os graves riscos emocionas que se submete caso opte pela interrupção da gravidez.                                 Portanto, aborto nunca será uma solução, sempre um lado ou ambos serão prejudicados. Não é dando a mulher autonomia para matar seu filho dentro de seu ventre que resolveremos os problemas sociais. Isto não passa de demagogia. É necessário investir na educação das massas para prevenção da gravidez indesejada, mas jamais matar uma criança inocente. Os fins não podem justificar os meios.
A sociedade que apela para o aborto declara-se falida em suas bases educacionais, porque dá guarida à violência no que ela tem de pior, que é a pena de morte para inocentes. Compromete, portanto, o seu projeto mais sagrado que é o da construção da paz.                                                          A Associação Médico-Espírita do Brasil reitera seu posicionamento contra qualquer forma de violência a uma  nova vida que não põe em risco a vida materna e que surge aguardando o auxílio de braços fortes e sensíveis que lhe ampare em sua fragilidade.                                                                 Concitamos a todos os colegas das AMEs para continuarmos firmes em defesa da vida e da paz.

AME-Brasil
REFERÊNCIAS
1) ARAÚJO, Renata Castro Branco. O Sofrimento Psíquico na Pós-Modernidade: Uma Discussão Acerca dos Sintomas Atuais na Clínica Psicológica. Trabalho de Conclusão do Curso de Pós-Graduação em Psicologia Clínica.
Disponível em:http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0311.pdf Acessado em 09/02/2016.
2) BAUMAN, Zygmunt. Ética Pós-moderna. São Paulo: Paulus Ed., 1997.
3) BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2001.
4) BAUMAN, Zygmunt. Tempos Líquidos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2007.
5) BAUMAN, Zygmunt. Cegueira Moral. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2014
6) BERMAN, Marshall. Tudo que é Sólido Desmancha no Ar. São Paulo: Schwarce ed., 1986.
7) CÁCERES, Ana Carolina Dias 'Existo porque minha mãe não optou pelo aborto', diz jornalista com microcefalia. Disponível em:
8) LÖWI, Ilana. A rubéola levou à legalização do aborto no Reino Unido. O zika fará o mesmo no Brasil? Disponível em: http://epoca.globo.com/…/rubeola-levou-legalizacao-do-abort… Acessado em 09/02/2016.
9)RAZZO, Francisco. Um novo nome para uma velha fantasia. Disponível em: http://www.gazetadopovo.com.br/…/um-novo-nome-para-uma-velh…Acessado em 09/02\/2016.

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